Agroflorestas: O Resgate do Ancestral

Agrofloresta ou Sistema agroflorestal (SAF) é uma prática antiga que foi conceitualmente estabelecida na década de 70, é uma forma de uso da terra que resgata o cultivo em sua forma ancestral, através da combinação de espécies madeireiras, arbóreas lenhosas, plantas frutíferas, cultivos agrícolas e criação de animais, uma combinação simples mas que pode ser a chave para muitos tópicos socioambientais.

Como é realizada?

O Sistema agroflorestal é uma prática intrínseca dos povos e já é realizada a milênios, contudo, a grande questão é o desenvolvimento da ciência e estudos que vêm atuando nessa prática, prestando apoio aos pequenos agricultores e mostrando as vantagens de estar cultivando de forma produtiva, rentável e mais sustentável para grandes produtores.

O conceito foi estabelecido pelo pesquisador e agricultor suíço Ernst Götsch com a agricultura sintrópica, sendo a prática agroflorestal baseada na sucessão natural, que dispensa o uso de fertilizantes químicos e agrotóxicos. As pragas e as doenças são encaradas como bioindicadores, que mostram a necessidade de mudanças para a retomada do equilíbrio do sistema. O papel do agricultor é apenas acelerar a sucessão natural, através da poda intensiva e plantio de espécies diversas em diferentes estratos.

A agrofloresta, basicamente, imita o que é feito naturalmente pela natureza, possuindo um solo sempre rico em vegetação, com a junção de diversos exemplares de plantas, em uma relação cooperativa e controlada a fim de evitar pragas, doenças e o uso de venenos.

Nos modelos mais simples, ocorre a junção das culturas anuais, com árvores frutíferas, leguminosas e criação de animais junto a vida familiar dos trabalhadores de forma harmônica.

Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), pode-se classificar as agroflorestas pelos seus componentes, em três principais grupos: silviagrícola, uma combinação de árvores com culturas agrícolas; silvipastoril, que consiste na criação de animais com a floresta; e a agrossilvipastoril, que faz a junção dos três componentes, a criação de animais, florestas e cultivos agrícolas.

Hoje é algo possível de se aplicar em todos os biomas do país, com diversas formas de produção, algo que vai desde a agricultura familiar, até as culturas mais técnicas e mecânicas, que ocorrem em grande escala.

Benefícios:

Essa prática vem se popularizando e tomando mais força no meio rural e acadêmico principalmente por seus benefícios próprios e as vantagens quando comparado a monocultura padrão.

As agroflorestas podem ser implementadas em áreas de reserva legal e preservação permanente, devido a diferentes instrumentos legais no país. Aumentando a geração de renda do produtor, devido a otimização da área da propriedade rural.

Esse tipo de cultura, representa a diminuição do uso de agrotóxicos e fertilizantes químicos, uma vez que a proposta é ser um cultivo saudável e sustentável. Isso impacta diretamente no custo e na saúde, já que o produtor não precisa dirigir os gastos para estes utensílios e pode desfrutar de um produto mais natural, promovendo uma segurança alimentar.

O cultivo de mais espécies sem danificar as culturas já existentes contribui para a mitigação e adaptação às mudanças climáticas, sendo um sistema com maior resiliência ao sistema produtivo, oferece a proteção contra o vento, promove sombra para espécies diferentes e mais sensíveis a luz, atua diretamente na melhora do microclima local, além de contribuir com o sequestro de carbono, algo que através da captação de créditos de carbono pode aumentar a renda dos produtores.

Já é possível analisar o aumento da biodiversidade oferecida por este modelo de cultivo, promovendo também o reaparecimento da fauna silvestre e de nascentes. Pontos que contribuem para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) criados pela ONU, que devem estar implementados em todo mundo até 2030.

Muitos Planos de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD) utilizam esta prática por seus diversos benefícios para o meio, como a recuperação da fertilidade dos solos (promovida principalmente pela ciclagem de nutrientes ao solo por meio da queda de galhos, folhas e outras matérias orgânicas que atuam como uma cobertura vegetal, protegendo o solo de fortes chuvas e exposição demasiada sol), redução da erosão, aumento da infiltração de água e a conservação de rios e nascentes. Trata-se de uma forma estratégica de redução do desmatamento e empobrecimento do ambiente em geral.

Por fim, mostra-se como uma alternativa de inclusão e mobilidade social, uma vez que pessoas de diferentes posições sociais podem participar e ser dignamente recompensadas pelo trabalho, apresentando para a sociedade seu valor e promovendo um produto com preço justo e acessível para todas as esferas sociais.

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